Quarta-feira, 26 de Março de 2008

Ayer - 2

Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol


Ciudad del Ayer, 5:27am. A luz de sempre, num horário adequado. As vivas lembranças de sempre, sempre inadequadas. Reli as cartas, depois queimei. Mas elas estão comigo ainda, lembro o conteúdo, a textura, a caligrafia, o cheiro. Certeza, vou dormir daqui a meia hora e acordarei com um pesadelo de culpa as 13hs. Depois de acordar, terei taquicardia por horas. Preciso fazer exercício. Preciso cortar a gordura. Morrer do coração é muito feio. Sal grosso e incenso no quarto, não adianta muito, não como antes. Criptonita. E todos os meus maus atos, acumulados num karma encachapante. (Hoje, no sinal em frente ao teatro, um ônibus, desses articulados, passou numa poça com todas as suas rodas do lado direito. E eu estava na frente da poça. Eu sorri. Foi o que eu consegui fazer.) E eu que achei que tudo estava superado e longe, eu, tola, que achei que era página virada superada. Casa, filhos, casamento, tantos planos, carreira, marido que me faz feliz. Feliz! Idiota! Não passa de uma máscara de medo, não há nada! Nunca esqueci. A incompetência é tamanha e tacanha, que além de não ter aprendido até agora a empurrar com a barriga, me subjuguei a um tipo que era tudo que temia em alguém. Justiça seja, tipo adorável e cheio de valores, mas que definitivamente não sabe viver. (Mas o que eu esperava encontrar em Flamboayan? Gente mesquinha...Como eu vim parar aqui?) Atos vão, karma volta. Fugi de um fim não-fim e acabei castrada, numa gaiola dourada, vida de boneca, cachorro de madame. De dia uma pétala de orquídea, a noite, os restos do que vivi. Ps.: desses restos, recordo dum artigo que meu passado fugídio escreveu. "
Pra quê a chave das minhas perversões tinha que estar tão longe?" O fundo do peito esquentou. Não era o que eu pensava, mas meu peito esquentou. Taquicardia. Cortar chocolate, cortar café. Morrer por ansiedade a toa é muito feio.

Eu tentei dessa vez escrever sobre os mesquinhos habitantes de Ciudad del Ayer, não consegui. Eu só enxergo o oprimido, sempre foi assim. Eu me faço de má pra viver, mas não aplico. Gracias a mi vida, entre outras canções velhas, agradeço a tudo. E recordo, nada é verdadeiro, tudo é real, e não acredite em tudo o que dizem. A realidade é interpretada e não existe verdade no fim. Acho que é melhor eu dormir mais um pouco.

Sem muita paciência pra listas dessa vez.

sinto-me: Ansiedade natural
música: Green Finch and Linnet Bird - Sweeney Todd Soundtrack
publicado por Yulliah às 03:01
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