Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Ayer - 5

Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva...

(Cazuza - Todo o amor que houver nessa vida)

 

00:32am, subindo pelas paredes, presente, caro sensei! Ciudad del Ayer é pequena demais! As paredes caem ao meu redor, caem em cima de mim, e são frias, frias demais, frias como os olhos que meolham dessa vitrine, frias como o vidro da vitrine, frias frias friiiiiiiiias, brrrrrrr! Os vergões ainda queimam na pele, a sola do chinelo estampada na coxa já conta dois verões e não sai da memória, o calor da pancada, e o frio dos olhos da mão do chinelo voador. O peito em chamas! O orgulho rasgado... Ainda sorrio escancarada quando sinto a chinelada queimar. Orgulho por que meu corpo, minha carne/carvão/brasa/pele a defendeu, e mesmo assim voou, mas ainda queimo, e o orgulho queima comigo, isso ninguém me tira! Tatuei pra não esquecer. A pimenta descendo a virilha marca o território dos dentes que passarm ali, querendo ficar. E sinto falta falta falta falta calor! Pude protegêla-mas não a memória, e partiu, voou, só deixou a sede. A vitrine às portas do deserto vieram a calhar pro que eu senti, mas até isso é frio agora. São outros os dentes, muitos muitos muitos outros, e não basta, é pouco, é pequeno, voraz. Matei os cães da vizinhança num bom dia. E, olha só, lalalala, meu vibrador queimou, vai ser meu fim! Vão-se as tecnologias, ficam os dedos, e linguas e linguas e linguas e linguas e linguas na lembrança. A lingua que eu quero, será que volta? Os dentes que eu preciso, será que voltam? Será que existem? Ou foi tomado de mim? Eu quero meu barba ruiva de volta! (Lembrar de: * passar o uniforme colegial * lubrificar as algemas * comprar alguns doces * conferir a sola dos saltos * deixar vendas e cordas acessíveis * fazer alongamento * depilar, hidratar, maquiar? * tirar a fantasia e dormir, ok chega.)

publicado por Yulliah às 04:47
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Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Ayer - 1

Jogaram criptonita debaixo da minha cama, e eu simpelsmente não arranjo assunto pra escrever. Idéias geniais e mirabolantes dentro do ônibus a caminho de casa e tudo some no caminho do ponto até o teclado. Fuckshit!

Se a vida real não dá pé, bora pra Onírykah. Aquela Onírykah, em algum vórtice perdido no canal da Mancha.

 Ciudad del Ayer, 16:32. A luminosidade é como se tivéssemos às cinco horas da manhã, como sempre, aliás, nem sei porquê, as leis da Física em relação a luz e cores não funcionam direito aqui. Deve ser a psiquê coletiva do lugar, onde tudo e todos são cansados, melancólicos, blasé, até os gatos de rua. Meus amigos. Me olham com mais amor do que muitos. E eu os respeito em sua solidão. A cidade é um eterno suspiro preso, e ele dói. Em mim. E nos meus gatos. E nos de rua. E eles são mais fortes que eu. Ah... Mudei-me em mil novecentos e tanto, até esqueci, as lembranças são da mesma cor do céu daqui. Lilás, cinza, dor. O céu é um dos meus hematomas, que deixei por lá. Da minha terra, carreguei o medo, e até do verde das plantas eu tenho receio. Verde e vermelho, vermelho e negro, Ciudad del Ayer é o condado das utopias perdidas na base da porrada, na base do cacete. Ou você não sabia ainda pra onde iam os desaparecidos dos regimes? Moramos em guetos, mesmo aqui. Os desiludidos, os sem-fé são blasé e niilistas, e esse tipo de gente sempre vêm morar aqui. Nem preciso dizer o quanto eles nos amam. Valemos o mesmo que os gatos, esses gatos, que eu tanto salvo do chumbinho e dos chutes e pauladas. Chutes, pauladas, e chumbo a gente já conhece, o que fere mais é saber que vamos ser esquecidos. Isso é o que nos trouxe aqui, e o que nos torna melancólicos, blasé. Mas não perdemos a fé. Nem nós, nem os gatos.

Prometo coisas melhores, hoje eu tava sem saco, bem como nas semanas anteriores.

Lista da vez - Beijos ao passado:
-Henrique Sá, camarada de teatro e poeta blogueiro de talento (sentidoabsurdo.blogspot.com.br), suuuuuper, menino!
-Beth Silva, camarada de teatro e flashbacker de talento, vide Orkut Em Cena SESI;
 -LittleWitch Niña, vítima de um ataque insano da minha TPM, camarada de teatro e blogueira de talento (littlewitchblog.weblogger.com.br), além de divisor de águas da minha existência, eterna musa inspiradora das minhas canetas bic ("ainda escrevo que nem tu!"), etc, etc, etc; -Gracias a mi vida... etc, quando eu lembrar mais eu escrevo.
sinto-me: Lilás-Azulada
música: Trouble - Cold Play
publicado por Yulliah às 02:28
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