Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Ayer - 1

Jogaram criptonita debaixo da minha cama, e eu simpelsmente não arranjo assunto pra escrever. Idéias geniais e mirabolantes dentro do ônibus a caminho de casa e tudo some no caminho do ponto até o teclado. Fuckshit!

Se a vida real não dá pé, bora pra Onírykah. Aquela Onírykah, em algum vórtice perdido no canal da Mancha.

 Ciudad del Ayer, 16:32. A luminosidade é como se tivéssemos às cinco horas da manhã, como sempre, aliás, nem sei porquê, as leis da Física em relação a luz e cores não funcionam direito aqui. Deve ser a psiquê coletiva do lugar, onde tudo e todos são cansados, melancólicos, blasé, até os gatos de rua. Meus amigos. Me olham com mais amor do que muitos. E eu os respeito em sua solidão. A cidade é um eterno suspiro preso, e ele dói. Em mim. E nos meus gatos. E nos de rua. E eles são mais fortes que eu. Ah... Mudei-me em mil novecentos e tanto, até esqueci, as lembranças são da mesma cor do céu daqui. Lilás, cinza, dor. O céu é um dos meus hematomas, que deixei por lá. Da minha terra, carreguei o medo, e até do verde das plantas eu tenho receio. Verde e vermelho, vermelho e negro, Ciudad del Ayer é o condado das utopias perdidas na base da porrada, na base do cacete. Ou você não sabia ainda pra onde iam os desaparecidos dos regimes? Moramos em guetos, mesmo aqui. Os desiludidos, os sem-fé são blasé e niilistas, e esse tipo de gente sempre vêm morar aqui. Nem preciso dizer o quanto eles nos amam. Valemos o mesmo que os gatos, esses gatos, que eu tanto salvo do chumbinho e dos chutes e pauladas. Chutes, pauladas, e chumbo a gente já conhece, o que fere mais é saber que vamos ser esquecidos. Isso é o que nos trouxe aqui, e o que nos torna melancólicos, blasé. Mas não perdemos a fé. Nem nós, nem os gatos.

Prometo coisas melhores, hoje eu tava sem saco, bem como nas semanas anteriores.

Lista da vez - Beijos ao passado:
-Henrique Sá, camarada de teatro e poeta blogueiro de talento (sentidoabsurdo.blogspot.com.br), suuuuuper, menino!
-Beth Silva, camarada de teatro e flashbacker de talento, vide Orkut Em Cena SESI;
 -LittleWitch Niña, vítima de um ataque insano da minha TPM, camarada de teatro e blogueira de talento (littlewitchblog.weblogger.com.br), além de divisor de águas da minha existência, eterna musa inspiradora das minhas canetas bic ("ainda escrevo que nem tu!"), etc, etc, etc; -Gracias a mi vida... etc, quando eu lembrar mais eu escrevo.
sinto-me: Lilás-Azulada
música: Trouble - Cold Play
publicado por Yulliah às 02:28
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2 comentários:
De Henrique a 20 de Março de 2008 às 04:55
Muito bom nos levar à lugares e sensações, e gostei da poesia de algumas como o suspiro da cidade em que os gatos também sentem... adorei...mas será que esses reunidos são estão assim pelo medo de ser esquecido? é tão triste, acredito que reunem-se e saberem que estão ali para serem lembrados, produzem livres e criativos afetando de forma positiva a energia dos gatos


De Cêssabe. a 20 de Março de 2008 às 07:39
Oh, bog... é uma grata surpresa ver que você continua escrevendo tão bem (e ainda melhor!) que nos tempos de Miya-chan e Matt...
Seu post me inspirou... isso é raro, vice? u.u'

Saudades.

PS: obrigada pela parte que me toca ;)


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